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Colóquio Antero e a cultura crítica do século XIX

 

Mostra A questão do Bom senso e bom gosto

 

 

CTT

 


Emissão filatélica Questão Coimbrã

Carimbo comemorativo Bom senso e bom gosto

APRESENTAÇÃO | 28 set. '15 | 14h15 | Auditório BNP | Entrada livre

 

Evento no âmbito do Colóquio Antero e a cultura crítica do século XIX, com a apresentação da emissão filatélica dos CTT comemorativa dos 150 anos da chamada Questão Coimbrã bem como do carimbo Bom senso e bom gosto, apresentado pela primeira vez.

Quando Antero de Quental publicou o Bom Senso e Bom Gosto, dando «oficialmente» início à Questão Coimbrã, já era evidente a hostilidade entre muitos dos intelectuais lisboetas que gravitavam em torno do velho escritor António Feliciano de Castilho e os jovens estudantes de Coimbra. A edição dos três primeiros livros de poesia de Antero de Quental e Teófilo Braga, principalmente o teor dos seus prefácios filosóficos, causaram forte abalo no grupo de Lisboa, conhecido por «sociedade do elogio mútuo».

Pinheiro Chagas, um dos mais queridos pupilos do «mestre», chamou a si o encargo de atacar nos seus folhetins as «tisanas filosóficas» dos jovens escritores. A polémica tornou-se inevitável quando Castilho, em carta ao editor que ia publicar o poema de Pinheiro Chagas, «Poema da Mocidade», seguido do poemeto «Anjo do lar», opina sobre a poesia que tinha deixado de ser fluente e inteligível, «conchegada com a nossa índole». Lamenta não perceber para onde irão Antero e Teófilo, nem que destino será o deles.

A resposta de Antero é uma refutação indignada e violenta às opiniões de Castilho. «Acabo de ler o escrito de V. Exª. onde, a propósito do bom senso e do bom gosto, se fala com áspera censura da chamada escola de Coimbra.» Mas Antero explica que não são as palavras nem mesmo as ideias que indignam Castilho. «A guerra faz-se à impiedade destes hereges das letras, que se revoltam contra a autoridade dos papas e pontífices […]. Faz-se contra quem entende pensar por si e ser só responsável pelos seus actos e palavras.» E Antero continua a alinhar acusações violentas contra o patriarca das letras que não lhe responderá.

Da multiplicidade de intervenções que se irão registar em 1866, trinta e duas ao todo, refira-se a de Ramalho Ortigão, «Literatura de Hoje» e a de Camilo Castelo Branco, «Vaidades Irritadas e Irritantes». Ramalho, no seu belo estilo «farpiano», analisa ponto por ponto, negativamente, a carta de Castilho, deixando-o bastante combalido. Quanto à intervenção de Antero, rejeita-a liminarmente, chamando-lhe covarde por se dirigir, naqueles termos, a um ancião. Tão severa opinião vai resultar num duelo entre os dois, ficando Ramalho levemente ferido num braço.

O choque entre Antero e Castilho teve um efeito libertador. De um e de outro lado os folhetos e os folhetins saltaram para a luz do dia. Uns, muitos, atacavam o patriarca das letras, outros censuravam Antero pela falta de respeito para com o paladino da instrução primária, velho, doente e cego.

Ao longo de toda a polémica publicaram-se quarenta e quatro folhetos e inúmeras crónicas, cartas e folhetins. A literatura saíra da sua dormência e fizera-se a ruptura entre os versejadores sentimentais e piegas e o pensamento da Geração de 70 que vai iniciar o seu percurso.

Maria José Marinho

Excertos da pagela dos CTT «Questão Coimbrã 1865-2015»
Síntese de «Questão coimbrã: bom senso e bom gosto: apresentação, crítica, selecção, notas, linhas de leitura e pontos de orientação», Maria José Marinho e Alberto Ferreira